23.5.13

A nova geração de Call of Duty e seu cão-guia


Não foram todas as opções de entretenimento, o inesperado título do console ou os games exclusivos que chamaram a atenção no evento de lançamento do Xbox One. Na apresentação da Microsoft, o elemento que realmente roubou a cena foi o Hero Dog, o cachorro “companheiro sangue-bom” que aparece ao lado dos soldados no trailer de Call of Duty: Ghosts
.
Todo esse amor canino, com certeza, não estava dentro do esperado pela Activision. O presidente de publicação da empresa, Eric Hirshberg, esteve no palco da Microsoft para apresentar a nova geração da maior franquia do mundo do entretenimento. A expectativa era surpreender a todos com uma nova engine, um direcionamento novo para a história e, acima de tudo, os gráficos de uma nova geração de shooters.
Fugindo do seguro
A palavra de ordem da Activision durante o desenvolvimento de Call of Duty: Ghosts é a ousadia. No palco, Hirshberg afirmou aquilo que todos já esperavam: a sequência lógica para a franquia era o lançamento de Modern Warfare 4. A chegada de uma nova geração de consoles – e, possivelmente, as críticas quanto à saturação da série –, porém,  acabaram levando a desenvolvedora Infinity Ward em uma direção diferente.
O desafio acabou se tornando muito maior do que o esperado. As complexidades do desenvolvimento para duas gerações distintas se tornaram muito maiores quando a produtora começou a trabalhar num game essencialmente multiplayer sem que as funcionalidades online do PlayStation 3 e Xbox One estivessem plenamente definidas.

Esse fator exigiu que a Activision montasse o maior time de desenvolvimento jamais envolvido na franquia e, por incrível que pareça, as dificuldades acabaram trazendo mais criatividade ao conjunto. Foi daí que vieram, por exemplo, a trama diferenciada, que coloca os personagens em posição de vulnerabilidade, e os ambientes dinâmicos para o modo multiplayer.
O intuito aqui é claro: fixar as bases não apenas para os jogos de tiro da próxima geração, mas também da indústria como um todo. A série Call of Duty está acostumada a ditar tendências e ser seguida por outras franquias, seja isso bom ou ruim. E esse, pelo jeito, é um status que a Activision não está disposta a perder.
Polígonos por todos os lados
O grande mote da Sub-D, a nova tecnologia gráfica de Ghosts, é um considerável aumento no número de polígonos, algo que só foi possível com o potencial da nova geração de consoles. Tudo, agora, parece mais natural e fluído, com formas arredondadas de verdade e um nível de detalhes nunca antes visto em um título da franquia.

O novo motor gráfico também é o principal responsável pela inclusão de cenários dinâmicos, que podem ser destruídos, inundados e transformados totalmente ao longo de uma partida do modo multiplayer. Com isso, a sensação de realismo é amplificada e a jogabilidade se torna muito mais variada.
Tantos triângulos em uma mesma imagem necessitam de um trabalho de captura de movimentos muito mais apurado. Afinal de contas, de nada adianta termos um personagem com rosto perfeito se ele se movimenta com a emoção de uma batata esquecida após o final da feira .
Um roteirista para chamar de seu
O trabalho de criação do enredo de Call of Duty: Ghosts também é diferente de tudo o que já foi feito antes na franquia. A começar pela escolha de autor: Stephen Gaghan, ganhador do Oscar por “Traffic”, e a forma como ele trabalha.
Aqui, nada de uma história pronta enviada por email. O roteirista está lá, ao lado da equipe de desenvolvimento, dando novas ideias e influenciando ativamente a produção do título, de forma a garantir a maior autenticidade possível. A história deve ser integrada à jogabilidade e não encarada como dois elementos distintos.

No enredo com poucos detalhes divulgados até agora, o jogador faz parte de um esquadrão que escapou da morte por pouco e, agora, se vê em desvantagem diante de um inimigo extremamente poderoso. Todos são irmãos, ajudam uns aos outros e passaram pelo inferno juntos. E, acima de tudo, nunca se esquecem de afagar e encher o pote de ração do Hero Dog. Resumindo: protagonistas humanos e de fácil identificação, algo que quase não existe em um Call of Duty.
Estamos no meio de um apocalipse e em um futuro bem próximo. Apesar disso, as tecnologias exibidas são bem próximas das que temos hoje em dia, um reflexo do caos pelo qual o mundo está passando e também da inferioridade dos heróis do game. A ideia aqui é sempre estar com os pés no chão, um distanciamento bem claro do último game, Call of Duty: Black Ops 2.
Dog of Duty
Eu sei, você quer ouvir mais sobre o Hero Dog. O uso de cães em equipes de fuzileiros navais é uma prática comum entre as Forças Armadas dos Estados Unidos. Por mais que eles nem sempre entrem em conflito direto como é mostrado no trailer de Call of Duty: Ghosts, a participação dos caninos nos combates é frequente.

Os soldados chegam ao ponto de criar ligações emocionais com os cães na mesma intensidade das ligações com seus companheiros de armas. Segundo Rubin, um verdadeiro cão fuzileiro foi utilizado nas sessões de captura de movimentos do game, e o soldado que o acompanhava contou diversas histórias sobre as batalhas que o animal já tinha visto.
Foi daí que surgiu o que, possivelmente, será o maior elemento de ligação entre jogadores e personagens virtuais. O militar afirmou que pularia em frente a uma bala para salvar seu parceiro de quatro patas e que o restante dos membros de seu esquadrão não hesitaria em fazer o mesmo. É a mesma relação que você, provavelmente, tem com o seu bichinho. Só que aqui ela acontece em meio à guerra.
Call of Duty: Ghosts chega no dia 5 de novembro ao PC, PlayStation 3 e Xbox 360. A Activision é evasiva sobre isso, mas é provável que o título seja um dos games de lançamento do PlayStation 4 e Xbox One.


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